terça-feira, 20 de dezembro de 2011

“A Privataria Tucana” marca o fim de uma era

extraído do Blog do Nassif 

Enviado por luisnassif

O livro "A Privataria Tucana" marca o desfecho de uma era, ao decretar o fim político de José Serra. A falta de respostas de Serra ao livro - limitou-se a taxá-lo de "lixo" - foi a comprovação final de que não havia como responder às denúncias ali levantadas.
O livro mostra como, após as privatizaçōes, o Banco Opportunity - um dos maiores beneficiados - aportou recursos em paraísos fiscais, em empresas da filha Verônica Serra. Depois, como esse dinheiro entrou no país e serviu, entre outras coisas, para (simular) a compra da casa em que Serra vive.
Tem muito mais. Mostra a extensa rede de pessoas cercando Serra que, desde o início dos anos 90, fazia negócios entre si, utilizando o Banespa, o Banco do Brasil, circuitos de paraísos fiscais, as mesmas holdings utilizadas por outros personagens controvertidos para esquentar dinheiro
Provavelmente o livro não suscitará uma CPI, pela relevante razão de que o sistema de doleiros, paraísos fiscais, foi abundantemente utilizado por todos os partidos políticos, incluindo o PT. Aliás, uma das grandes estratégias de José Dirceu, assim que Lula é eleito, foi mapear e cooptar os personagens estrangeiros da privatização que, antes, orbitavam em torno de Serra.
Essa a razão de ter terminado em pizza a CPI do Banestado, que expunha personagens de todos os partidos.
Nesse imbróglio nacional, a posição mais sensível é a de Serra - e não propriamente para a opinião pública em geral, mas para seus próprios correligionários. Afinal, montou um esquema que em nada ficou a dever a notórios personagens da República, como Paulo Maluf. Jogou pesado para enriquecimento pessoal e da família.
Com as revelações do livro, quebra-se a grande defesa de Serra, algo que talvez a sociologia tenha estudado e que poderia ser chamada de "a blindagem dos salões". É quando personagens controvertidos se valem ou do mecenato, das artes, ou da proximidade com intelectuais para se blindarem. O caso recente mais notável foi o de Edemar Cid Ferreira e seu Banco Santos.
Serra dispunha dessa blindagem, por sua condição de economista reputado nos anos 80, de sua aproximação com o Instituto de Economia da Unicamp. Graças a isso, todos os pequenos sinais de desvio de conduta eram minimizados, tratados como futrica de adversários.
O livro provocou uma rachadura no cristal. De repente todas aquelas peças soltas da história de Serra foram sendo relidas, o quebra-cabeças remontado à luz das revelações do livro.
Os sistemas de arapongagem, que permitiram a ele derrubar a candidatura de Roseana Sarney no episódio Lunus; o chamado "jornalismo de esgoto" que o apoiou, as campanhas difamatórias pela Internet, as suspeitas de dossiê contra Paulo Renato de Souza, Aécio Neves, o discurso duplo na privatização (em particular apresentando-se como crítico, internamente operando os esquemas mais polêmicos), tudo ganhou sentido à luz da lógica desvendada pelo livro.
Fica claro, também, porque o PSDB - que ambicionava os 20 anos de poder - jogou as eleições no colo de Lula.
Todas as oportunidades de legitimação da atuação partidária foram preteridas, em benefício dos interesses pessoais da chamada ala intelectual do partido.

Assista a reação do próprio ao lançamento do livro...





segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

A repercussão ao desmascaramento do tucanato

O livro " A Privataria Tucana" do jornalista Amaury Ribeiro Jr. já  causa uma devastadora reação midiática em pólos antagônicos: o silêncio ensurdecedor da grande mídia podre de um lado, e na polaridade oposta o deleite da "blogsfera" e da "banda pobre" da imprensa. Festejado por aqueles que não aguentam mais os travestis da luta contra a corrupção nadarem de braçada nas cagadas de alguns governistas, o jornalista Amaury Jr. também já foi questionado por colegas seus como marqueteiro político pró-petista: 
"O livro “Privataria tucana”, da Geração Editorial, de autoria de Amaury Ribeiro Jr, é um sucesso de propaganda política do chamado marketing viral, utilizando-se dos novos meios de comunicação e dos blogueiros chapa-branca para criar um clima de mistério em torno de suas denúncias supostamente bombásticas, baseadas em “documentos, muitos documentos”, como definiu um desses blogueiros em uma entrevista com o autor do livro." 
Disse ainda Merval Pereira que "Amaury Ribeiro Jr. foi indiciado pela Polícia Federal por quatro crimes: violação de sigilo fiscal, corrupção ativa, uso de documentos falsos e oferta de vantagem a testemunha, tendo participado, como membro da equipe de campanha da candidata do PT, de atos contra o adversário tucano. O livro, portanto, continua sendo parte da sua atividade como propagandista da campanha petista e, evidentemente, tem pouca credibilidade na origem." 
Dado a oportunidade ao contraditório, fico com Miro:
"O livro de Amaury Ribeiro não é apenas “uma luz sobre este passado ainda imerso nas sombras”. É um canhão de holofotes que devassa os subterrâneos da privatização, “o maior assalto ao patrimônio público da história do Brasil”. É a peça que faltava para entender o que ocorreu naquele período de êxtase neoliberal, de desmonte do estado, da nação e do trabalho.
Nas suas 343 páginas, um terço delas com documentos oficiais, o livro comprova que a privataria serviu para enricar meia dúzia de empresários, que concentraram ainda mais as riquezas, mas também para desviar recursos públicos para tucanos de alta plumagem, que se utilizaram de mecanismos engenhosos de lavagem de dinheiro e de paraísos fiscais."
Esta leitura está em minha agenda de férias. Pra repercutir com ainda mais humor o tema, acompanhe o lançamento do filme deste best seller brasileiro, por Cloaca News .




sábado, 17 de dezembro de 2011

Nota de agradecimento


Diante dos acontecimentos e vivências recentes em meu trabalho, busquei algumas palavras que, ressaltando seu sentido, apresentaram concreticidade em corpos, vidas, ações, palavras, sentimentos, sonhos:
Privilégio. 
Aprendizado. 
Doação. 
Companheirismo. 
Oportunidade. 
Caráter.
Infortunadamente, esse pronunciamento de um novo fazer pedagógico, um novo caminho para a educação física veio de encontro ao seu sentido mais antagônico, encerrando com o gosto mais amargo da pequena política recheada de velhas práticas que sempre combatemos e combateremos. Atos e demonstrações desproporcionais de força não são novidade para quem contenda com idealismo na base, no chão, na rua, nas fileiras, pela civilização e contra a barbárie. Essa opção é irreversível. E jamais solitária. 
Há uma canção da banda Foo Fighters  (mais uma...) chamada Best of You que expressa meu sentimento em relação a esta conduta e seus representantes. Ela diz:

Eu tenho outra confissão a fazer
Eu sou o seu tolo
Todos têm correntes para quebrar
Segurando você
Você nasceu para resistir?
Ou para ser abusado?

Alguém está tirando o melhor
O melhor, o melhor, o melhor de você?

Ou você se foi e virou outra pessoa?

Eu precisava de um lugar para me enforcar
Sem o seu laço
Você me deu algo que eu não tinha
Mas que não teve uso
Eu estava fraco demais para desistir
Forte demais para perder
O meu coração está preso de novo
Mas eu me libertarei
Minha mente me oferece vida ou morte
Mas eu não consigo escolher
Eu juro que nunca vou desistir
Eu me recuso

Alguém está tirando o melhor
O melhor, o melhor, o melhor de você?

(...)


Alguém tirou a sua fé?
É real a dor que você sente?
A vida, o amor, você morreria para se curar
A esperança que dispara o coração partido
Sua confiança?
Você deve confessar

(...)


Eu tenho outra confissão, meu amigo
Eu não sou um tolo
Estou ficando cansado de recomeçar
Em um lugar novo
Você nasceu para resistir ou para ser abusado?
Eu juro que nunca vou desistir
Eu me recuso

Alguém está tirando o melhor
O melhor, o melhor, o melhor de você?



(...)


Árdua tarefa é nomear sem cometer injustiças cada um dos que participaram deste processo cujo capítulo encerrou-se, sob o ponto de vista pessoal, com meu memorando de devolução expedido ontem, mas sob o ponto de vista deste magnífico coletivo, com a exoneração de seu "comandante" em 02 de dezembro último. Meu mais profundo agradecimento a cada um de vocês, companheiros e companheiras que viveram comigo esta história, tanto no cotidiano de trabalho como nas reuniões e encontros periódicos, assim como também aqueles que alicerçam este sonho há 20 anos ou mais, contribuindo para nossa formação profissional e humana...
Me permito pessoalizar esse agradecimento em nome do Tatu e do Daniel, companheiros que, além de estarem cotidianamente mais próximos, contribuíram muito paciente e carinhosamente para meu engrandecimento pessoal e profissional, desde outrora avalizando minha identidade neste grandessíssimo projeto. Há braços, companheiros! A luta sempre continua! Estamos e estaremos juntos.


neste momento, este é meu grito


segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Poema


Para o meu amor.

Times Like These
Foo Fighters 

Eu sou uma rodovia de mão única
Sou uma estrada para longe
Que segue você de volta para casa

Eu sou uma luz de rua acesa
Sou uma luz branca ofuscante
Piscando sem parar

Em tempos assim,
Você aprende a viver de novo.
Em tempos assim,
Você se entrega e se entrega de novo.

Em tempos assim,
Você aprende a amar de novo.
Tempos assim
Outra e outra vez

Eu sou um novo dia nascendo
Sou um novo céu que
Abrigará as estrelas esta noite
(...)
Em tempos assim,
Você aprende a viver de novo.
Em tempos assim,
Você se entrega e se entrega novo.

Em tempos assim,
Você aprende a amar de novo.
Tempos assim
Outra e outra vez.







quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

O exemplo de Sócrates


O dr. Sócrates não pode ser eleito como um jogador de futebol à frente de seu tempo, mas fora de tempo, pois como ele poucos exemplos (sinceramente, não me recordo de nenhum) possuíram uma conduta revolucionária dentro desse campo de trabalho. Sua visão não demonstrava ser mercadológica nem marqueteira, como os oportunistas exploradores e bandidos que circulam neste meio, mas sim qualitativa  em relação ao exercício do trabalho do jogador de futebol, ofício que ele exercia não como alternativa única de posicionamento social, mas como atividade de prazer. Já a faculdade de medicina lhe garantiu um futuro profissional diferenciado em relação aos seus pares. Ele teve condições materiais, familiares, econômicas, sociais, de discernir sobre que alternativa escolheria para se posicionar em sua vida profissional após o término da carreira de jogador. Isto não ocorre entre (estimativa jocosamente pessoal) 99,1% daqueles que se lançam na carreira profissional de boleiro.
Há de se ressaltar a extrema dedicação e competência pessoal para conciliar a carreira de jogador profissional e o estudo da medicina.. A prática profissional de futebol com maior embasamento político certamente obteve maior consistência com a soma de todos esses fatores. Divago se ele não fazia a indagação: "qual a merda da diferença entre o trabalho do médico, do jogador de futebol, do lixeiro, do professor"? Ou ainda "porque apenas as profissões mais conceituadas têm oportunidade de diálogo em relação ao exercício de seu trabalho?"
Ele foi iconizado como o Doutor da bola e da democracia.
Suas declarações e posturas deixavam claro que ele estava se lixando para o moralismo que encharca nossa sociedade: fumante e bebedor de cerveja, e ainda por cima atleta e médico.  Poderia ser análogo ao exemplo do professor de educação física obeso, ou do lixeiro culto. Que tapa maior no conservadorismo do senso comum poderia ser dado, que rompimento de paradigma mais explícito poderia ser demonstrado naquele momento histórico, na verdade, em nosso momento histórico? Ao fazer isso e incitar outras ações como a Democracia Corintiana ele acabou dialeticamente reforçando uma demanda histórica então emergente por liberdade e protagonismo social mas, ao mesmo tempo, reforçando a concepção que a transformação, de fato, emana de quem tem condições para tal, e não do povo que é pobre, lascado e mal instruído. E dessa responsabilidade ele tinha clareza. 
Outros jogadores que também lutavam por liberdade de expressão, de exercício livre de seu trabalho e de sua vida pessoal foram estigmatizados como encrenqueiros, indisciplinados, arruaceiros, vagabundos, violentos, ou o que lhe valha. Não eram doutores, mas pobres que encontraram no futebol alternativa única de ascensão socioeconômica. Gosto de citar o exemplo de Edmundo, pois ele se enquadra perfeitamente neste exemplo. Craque de bola, inteligente, mas... Animal. Como ele tantos outros, eu incluso, que querem apenas exercer bem o seu trabalho e, após o compromisso, tomar uma gelada com a família e os amigos, curtir um cineminha, levar os filhos ao parque. Sócrates também. Animal, certamente também.
O engajamento político é, inevitavelmente, o o legado mais marcante do doutor da bola. Exímio craque de bola, ele botou pra F. nas fileiras reacionárias daqueles que gerenciavam o "departamento profissional" do clube em que jogava, democratizando radicalmente as decisões sobre o exercício do trabalho. E apresentou resultados efetivos que agradaram a todos: torcida, trabalhadores da bola e dirigentes (pois o retorno midiático e financeiro foi incontestável). Esse grupo e seu líder demonstraram que o trabalho pode ser exercido de forma plena, liberta e democrática, no sentido de oportunizar o diálogo e a tomada de decisões colegiadas junto aos co-partícipes daquela pequena sociedade.
A Democracia do dr. sucumbiu a interesses econômicos e mercadológicos presentes no meio futebolístico de alta competitividade. A gestão do futebol, ao se profissionalizar sob a orientação da lógica neoliberal liderada e avalizada pela FIFA e pelo COI, mediou interesses dos trabalhadores, patrões e mercadores do esporte. Dessa forma, assim como no mercado de trabalho, os direitos e obrigações dos trabalhadores do esporte de alto rendimento são conceitualmente compatíveis com a dos demais trabalhadores. Ou seja, prevalece a lógica do patrão.


A lição

Os projetos para a educação física da rede pública de ensino Distrito Federal que passou recentemente (em seus níveis diversos - desde sua direção até ao piso batido da quadra) por um processo de reestruturação semelhante a Democracia do dr. Sócrates, tais como o surgimento de formações, de manifestos pedagógicos, reformulação de seu currículo, reforçamento de ações na educação física escolar, desporto e jogos escolares e ampliação de sua intervenção para todos os níveis de ensino, tem sinalizado um possível sucumbimento frente a declarações e acontecimentos recentes, emanados de poderes que mediam os mesmos interesses referidos acima. Porém , mais do que prazer ou direito social, como Sócrates transmitiu em sua vida profissional, mas também por ideologia e justiça, essa luta que é representada por esse projeto histórico não sucumbirá, esteja no campo de ação que estiver. O poema representa meu sentimento frente a esse golpe.






sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Ginástica e cultura corporal de graça

Este vídeo divulga o Programa Ginástica nas Quadras, um programa de atividade física gratuita  presente em todas as cidades do Distrito Federal, fornecido por professores e professoras de educação física da Secretaria de Educação do Distrito Federal. Esses docentes possuem em seu currículo, no mínimo, o curso de licenciatura em educação física, sendo que a maioria possui pós-graduação em diferentes níveis (especialização, mestrado e doutorado). Em 2011 todos tiveram, pela primeira vez, a oportunidade de realizarem formação complementar em diversas áreas ligadas a prática física e de saúde oferecida pela Diretoria de Educação Física e Desporto Escolar (DIDESC) por ocasião do lançamento do programa SALUTE - Saúde e Lazer do Trabalhador em Educação, também concebido pela diretoria.
O Ginástica nas Quadras, de fato, é a única oportunidade de pessoas com baixo potencial socioeconômico (diga-se, pessoas pobres), em sua maioria pessoas idosas, de usufruírem de atividades ginásticas e da cultura corporal de maneira qualificada e totalmente gratuita. Considero importante salientar ainda que as atividades são planejadas e concebidas pelo docente com estreito comprometimento ao atendimento e, principalmente, a liberdade em relação ao seu exercício do seu trabalho.


Ginástica nas Quadras

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Alterego parte 2


É fundamental ressaltar que, para entender quem é o alterego de quem, deve-se destacar o oportunismo dos reacionários em demonstrarem-se baluartes da democracia e da ética. "Chega de desonestidade! Basta de corrupção! Ética na política!" são os jargões utilizados por eles. É fácil atirar quando o gatilho está apontado para o "outro eu" da história. Sem espelho. Sem memória. Sem noção. Entretanto,  o povo não é burro.

Esses grandes "baluartes da honestidade e da democracia" sequer sabem o que democracia realmente significa. Seu passado e sua conduta ética denunciam a volatilidade de seu caráter.
É oportuno salientar que jovens consciências são (de)formadas por esta mentalidade vil e alienígena aos interesses populares. Essas arapucas pseudoideológicas servem a grupos que, no Brasil, explicitamente procuram retomar o poder para tentarem retornar a um espaço que sempre foi seu. Agora locupletam-se de moral para adornar-se com aquilo que não lhe pertence.

Finalmente, há uma pílula de poesia que é categórica, eu adoro, e dedico carinhosamente a todos os manifestantes de ocasião.




segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Alterego

Neste fim de semana revi a reprise ("rever a reprise" na televisão deixou de ser redundância...) do filme Kill Bill 2, onde a super-heroína Beatrix Kiddo mata meio mundo pra se vingar de seu amor-algoz Bill. Na seqüencia final, muito bem tramada por Quentin Tarantino, Bill faz um poético relato sobre o alterego da humanidade, citando a "mitologia" dos super-heróis. Ele relata que o Superman, cujo alterego é o Clark Kent, simboliza o quanto o ser-humano é fraco é covarde. Ao contrário dos demais heróis cujo alterego é o super, tendo em vista que Bruce Waine, Peter Parker, Bruce Bunner, etc, dormem e acordam como tais, vestindo-se de super para salvar a humanidade. Superman dorme e acorda superman, fantasiando-se de Clark Kent para "humanizar-se". E Clark Kent é fraco, medíocre e covarde. Ele é o alterego humano de superman, ou sua crítica à humanidade.

Enfim, Bill usa desse argumento para justificar que é um assassino nato, assim como Beatrix, etc e tal. Mas, como humano que sou, e inquieto também, incitou-me a reflexão sobre este argumento (a propósito, genial) e o atual cenário político de nossa cidade. De que adianta trajar-se com uma coloração diferente para apenas  legitimar-se no poder? Quem é o alterego de quem? 

Não arrisco-me a fazer qualquer análise acadêmica sobre a psiquê humana, mas tenho fé que a projeção que fazemos de nós mesmos, de uma forma ou de outra, acaba materializando-se em nossas ações. O trabalho, que no modo de produção capitalista é alienado e expropriado de quem o realiza, há de possuir algo de quem o manufatura. Conceituo aqui trabalho o fruto da ação de cada ser humano, por mais alienada que seja.  O ser civilizado pela barbárie possui seu alterego no sujeito-consumidor, ou é levado a construir-se tal maneira. Algo há de ser legítimo e próprio de quem o faz. Viagem absoluta.

No caso das circunstâncias recentes, questiono: o poder é intrinsecamente ou legitimamente sentimento humano? O quanto? De quantos? Quem tramou tudo isso?

O que reflito é que não podemos nos submeter à desesperança diante de tais circunstâncias, que por mais que nos desalentem, compõe a culminância de um processo histórico, ao qual não nos alienamos, mas  também compomos, apesar de não corroboramos em sua integridade. Entretanto nosso trabalho, que nada mais é do que a concretização de nossa apreensão de mundo, síntese de nossas experiências, não há de ser descartável nem efêmero, não poderá estar à venda tampouco ser despojado de valor. Meu trabalho de alguma forma, em algum momento, me pertence. Há de me pertencer e me satisfazer como ser humano. Independente de Tadeus, Agnelos, Joaquins, Josés Robertos, Luízes, etc. É necessária essa a crença. Para que minh'alma respire.

Chamem de ingenuidade ou o que lhe valha. Se votei em quem jamais achei que votaria (Tadeus e cia), e hoje pagamos esse preço, é porque acredito em algo maior. É este algo que ajudo a construir com meu trabalho, despropriado de terceiros e referenciado em meus sonhos utópicos de mundo. Meu alterego há de ser aquilo que sonho e projeto através de meu trabalho, assim como os super-heróis humanos, e não aquilo que se tenta demonstrar através da coloração oportunamente trajada. Como o superman.


confira o vídeo de Kill Bill 2 supracitado 

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Ensino a Distância rebaixa qualidade da educação no país

Essa interessante reportagem da Caros Amigos expõe a ferida desta modalidade de ensino no Brasil. Os principais questionamentos são a baixa qualidade do ensino oficial, a utilização oportunista de Instituições de Ensino particulares para aumentarem seu lucro com base na exploração do equacionamento pouca oferta - lucro - precarização do trabalho, e a perspectiva (precária, ressalto) de empregabilidade para uma população com déficit em sua escolarização básica e com poucas oportunidades de acesso a uma educação de qualidade.
Mesmo Instituições de notória excelência como UnB, USP, UERJ, UFJF, aderiram a este modelo de ensino, arcando com as consequências acadêmicas e críticas ao trabalho desenvolvido. É oportuno o momento para elevarmos o debate deste modelo de ensino para qualificá-lo como um instrumento de superação social, o qual se consolidará através de reformas programáticas efetivas aliados a controle institucional honesto e controle social efetivo.

Ensino a Distância rebaixa qualidade da educação no país
os grifos são meus.

A maioria dos alunos que cursam essa modalidade de ensino é constituída por pessoas com baixo poder aquisitivo

Por Lúcia Rodrigues

Um em cada cinco estudantes universitários brasileiros está matriculado em cursos de Educação a distância (EAD) no país. A nova modalidade educacional surgiu no final da década de 1990, mas foi nos anos 2000 que esse formato de curso ganhou projeção.

O número de vagas oferecidas por empresas educacionais aumentou exponencialmente nesse período. Em 2000 eram 5.287 alunos matriculados em graduações a distância, em 2009 o total de universitários inscritos saltou para 838.125.

O último dado oficial sobre o número de alunos matriculados nesse tipo de formato é o do Censo da Educação Superior de 2009. Mas a rapidez com que os cursos de educação a distância se dinamizaram no país leva a crer que, hoje, a cifra já ultrapassou a casa de um milhão de estudantes matriculados em graduações oferecidas nessa modalidade.

Aparentemente democrática por ampliar o acesso à educação superior para um maior número de estudantes, a medida embute, na verdade, um forte componente ideológico. Cria no estudante a ilusão de que a qualificação garantirá o exercício pleno da profissão escolhida. 
Mascara a ausência de políticas efetivas dos governos federal e estaduais para suprir em quantidade satisfatória a falta de vagas presenciais em instituições públicas do país. Escamoteia o problema central e desencadeia outro seríssimo ao facilitar o rebaixamento na qualidade do ensino dos cursos oferecidos a distância.

Na verdade, o ensino a distância foi o formato encontrado pelos governantes para diplomar pobres em massa e responder as metas educacionais impostas por organismos internacionais como o Banco Mundial e a Organização Mundial do Comércio, a OMC. 
Por isso, a garantia da qualidade dos cursos de graduação a distância não é a preocupação central desses dirigentes. Ao invés de investirem pesadamente na expansão de vagas em instituições públicas presenciais, enaltecem o “caráter democrático” desse modelo educacional que permite a um número expressivo de estudantes cursarem uma faculdade privada a distância.

“Conseguiram grudar a ideia de que o ensino a distância equivale à democratização do acesso. Além disso, rotulam quem questiona esse tipo de curso, como retrógrado”, ressalta César Augusto Minto, vice-presidente da Associação dos Docentes da Universidade de São Paulo, a Adusp, e professor da Faculdade de Educação da USP, ao se referir à postura dos dirigentes governamentais e dos donos das empresas educacionais que disponibilizam graduações a distância. Segundo o docente, é difícil se contrapor a essa façanha ideológica que vendeu a ideia de que a democratização do ensino passa pela educação a distância.

Esses cursos foram introduzidos no país pelo governo Fernando Henrique Cardoso. Mas a administração do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva manteve a iniciativa e a ampliou. Em 2002, eram 40.714 matrículas; em 2006, o número havia pulado para 207.206, dois anos depois, em 2008, o total de estudantes matriculados chegou a 727.961. Embora se saiba que a administração da presidente Dilma Rousseff deu continuidade a essa medida, os números oficiais a respeito ainda não foram publicizados.

Péssima qualidade 

O Censo da Educação Superior de 2009 aponta que, naquele ano, o Ministério da Educação reconhecia 844 cursos de graduação a distância no país distribuídos em 5.904 polos de apoio presencial. Duzentas e vinte e duas instituições estavam credenciadas junto ao MEC para oferecer cursos de Educação a distância. A maioria esmagadora dessas instituições é privada e está concentrada nas regiões sul e sudeste.

Os críticos do modelo consideram esse formato uma mina de ouro para os donos das faculdades, que conseguem aumentar ainda mais seus lucros. “Esses cursos têm forte teor mercadológico. Por isso, não se preocupam com a qualidade do ensino. As empresas tinham esgotado a capacidade de ampliar seus lucros e resolveram apostar nesse filão”, explica o dirigente da Adusp.

Esse tipo de curso permite o barateamento das mensalidades, porque consegue ampliar exponencialmente o número de alunos matriculados por turma, além de reduzir o total de professores. Os donos das faculdades também economizam com gastos de energia elétrica, água e funcionários, porque não há um campus para os estudantes frequentarem.

O curso é praticamente todo online. E o aprendizado é mediado basicamente pelo computador. Não há um espaço físico onde o estudante possa ir estudar, diariamente. A parte presencial do curso exigida pelo Ministério da Educação também ocorre de forma precária. Em algumas oportunidades definidas, o aluno se dirige a um local, chamado de polo, que a instituição disponibiliza para esses momentos presenciais. “Essa é uma forma capciosa, encontrada para dizer que o aluno tem aulas presenciais”, frisa o professor César.

Na atividade, o estudante continuará a não ter o contato direto com um professor. O docente leciona simultaneamente para milhares de estudantes espalhados em vários polos da instituição distribuídos pelo país, por meio de uma televisão ou de um telão instalados em uma sala. A Unip (Universidade Paulista), uma das maiores empresas privadas da área, tem mais de 100 polos no país, só na capital paulista são 20 locais.

O aluno não interage com o professor, só ouve as informações que são disseminadas na tela. Quem o acompanha presencialmente é um tutor que, na maioria dos casos, é aluno de pós-graduação, sem formação específica na área disciplinar que está sendo abordada na tela. As tutorias polivalentes respondem por várias matérias.

Os estudantes dos cursos a distância não têm como verbalizar suas dúvidas ao professor, nem mesmo intervir durante a explanação do docente. É o tutor quem faz a intermediação por meio da triagem de perguntas encaminhadas por escrito para o e-mail do professor que se encontra do outro lado da tela. Há casos em que apenas uma pergunta por polo é encaminhada ao docente. Não há tempo hábil para atender à demanda de questionamentos na hora. “O processo pedagógico é todo truncado. Uma pessoa fala em uma videoconferência, outra acompanha os alunos e outra fica responsável pelos trabalhos. Não há nenhuma articulação entre os vários segmentos. É uma situação de precariedade total, que só se justifica pela falta de preocupação com a qualidade do ensino”, enfatiza o dirigente da Adusp. 
Para ler mais, é necessário acessar o endereço carosamigos.terra.com.br ou adquiri-la na banca de revista.
Maiores elucidações sobre o tema em http://www.cfess.org.br/noticias_res.php?id=603

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Declamação de Eduardo Galeano

Poesia serve para acalentar a alma. A minha comoveu-se-se com esta. 


Do sempre inspirador Eduardo Galeano.
agradecido a glaucocortez.com .